O axé está de olhos bem abertos. E a gente?

04 FEV 2014
04 de Fevereiro de 2014
Durante o Festival de Verão de Salvador, realizado na última semana, nomes conhecidos do Axé resolveram se manifestar em relação aos rumos que o gênero vem tomando nos últimos anos, perdendo a força de forma intensa, sendo substituído por vários outros (principalmente pelo sertanejo).

Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Saulo Fernandes e Margareth Menezes falaram. Criticaram o “sistema”, a forma de se empresariar e a dificuldade de renovação, entre vários outros pontos.

Combinado ou não, o discurso mostra que há uma movimentação pra fortalecer o gênero. Naturalmente não é interessante, por exemplo, que sertanejos tomem blocos durante o carnaval da Bahia (além do Pirraça, de Jorge e Mateus, Gusttavo Lima ganhou um bloco esse ano, o “Doidaça”).

É previsível que, se organizado, o axé comece a se defender. Suas principais bandas estão perdendo os vocalistas para as carreiras solo, e as novidades que chegam, não conseguem se estabilizar.

Cito toda essa história pelo fato de ela nos dizer respeito diretamente.

Primeiro, pois o axé “se fechar” significa algumas portas na cara dos sertanejos.

Segundo, e mais importante, é que não estamos livres de uma crise dessas. O ano passado não foi legal em relação a renovações. Nomes novos surgiram, foram bem, mas não com a força que outros artistas em anos anteriores. Não é apenas um ano que vai estragar tudo o que foi construído anteriormente, mas já é um grande sinal de alerta.

Mais do que isso: os rodeios e as exposições, nossa casa, nosso principal apoio, estão cada vez mais abertos a outros estilos, que curiosamente estão tentando ficar cada vez mais fechados pra nós.

Já defendi aqui a variedade nas programações, um artista de outro gênero pra deixar a festa diferente, dar um ar mais interessante, mas não acredito mais que seja tão interessante ficar abrindo espaço pra quem pode simplesmente tomar nosso lugar.

Essa foi uma das reclamações mais ouvidas nos bastidores no ano passado por conta da abertura dada ao funk.

Grandes festas sertanejas que trazem estrelas de outros gêneros como atrações principais estão jogando contra o próprio patrimônio.

É legal acompanhar a movimentação que parece surgir dentro do axé. Melhor ainda se soubermos usar a história como exemplo pra não cometer os mesmos erros.

Autor: André Piunti - Blog Universo Sertanejo
Voltar